terça-feira, 23 de agosto de 2011

TI Verde

TI é um conjunto de atividades e soluções via recursos de computação. E TI Verde consiste na prática sustentável da: produção, gerenciamento, uso e descarte dos equipamentos eletrônicos.

O uso da TI provoca impactos no meio ambiente sendo tanto pela demanda de energia elétrica quanto pelos materiais utilizados na fabricação do hardware. Mediante isto, o mercado adotou ações de sustentabilidade no setor tecnológico. Um exemplo é o Índice de Sustentabilidade Empresarial, ferramenta de análise comparativa sob o aspecto da sustentabilidade corporativa com base na: eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa que impulsionam a adoção das ações propostas como TI Verde.[1] As empresas com os melhores índices, possuem vantagens econômicas como, facilidade de créditos e um melhor marketing frente à sociedade.

Se aproveita de métodos de produção que sejam menos nocivos a natureza, como por exemplo: reduzir os níveis de substâncias químicas utilizadas para a produção dos equipamentos; aparelhos eletrônicos que consumam menos energia; utilizar materiais reciclados.

Trata de como uma empresa utiliza e gerencia seus equipamentos da área de TI. Isso abrange a compra quanto a locação de equipamentos que consumam menos energia elétrica, bem como o uso de papel reciclado e redução nos índices de impressão.

Uma das principais tendências atualmente é o use de virtualização de servidores, usado para otimizar espaço físico e custos de TI dentro das empresas. Com essa tecnologia colocam-se diversas aplicações dentro de um único servidor, aumentando a eficiência operacional, reduzindo custos com infra-estrutura, mão-de-obra especializada, licença de softwares e eliminação de desperdícios com hardware ocioso.[2]

É a maneira correta de se desfazer de equipamentos, cuidando para que eles não sejam simplesmente jogados em aterros sanitário comuns, onde, em consequências das substâncias químicas contidas pode haver risco de contaminação do solo e da água, sendo encaminhado para a reciclagem ou doação dos equipamentos assim que estiver encerrada sua vida útil.

As práticas de TI Verde podem ser divididas em 3 níveis:

- TI Verde de incrementação tática: Não modifica a infra-estrutura atual nem as políticas internas, apenas incorpora medidas de contenção de gastos excessivos. Por exemplo: uso de monitoramento automático de energia disponível nos equipamentos, uso de lâmpadas fluorescentes e a otimização da temperatura das salas. São medidas simples de serem implementadas e não geram custos adicionais.

- TI Verde Estratégico: Exige uma auditoria sobre a infra-estrutura de TI e seu uso sustentável, implementando novos meios viáveis de produção de bens ou serviços de forma ecológica. Por exemplo, a criação de uma nova infra-estrutura na rede elétrica e sistemas computacionais de menor consumo elétrico e medidas de controle de seus descartes.

- Deep IT (TI Verde Profundo): Este incorpora o projeto e implementação estrutural de um parque tecnológico buscando a maximização do desempenho com mínimo de gasto elétrico; isto inclui projetos de sistemas de refrigeração, iluminação e disposição de equipamentos no ambiente.

domingo, 21 de agosto de 2011

O que é ITil

Com o aumento do nível de qualidade dos serviços de TI das empresas e da complexidade das tarefas, torna-se cada vez mais complexa sua gestão, rastreabilidade e manutenção. A adoção de metodologias e melhores práticas que visam apoiar nesta gestão tem sido uma saída muito procurada e que tem promovido um retorno notório para as organizações. Este artigo apresenta uma destas ferramentas, o ITIL, ainda não tão conhecido, mas já muito admirado pelos resultados que tem trazido com sua adoção.

1. O QUE É O ITIL?

O ITIL, cuja sigla significa Information Technology Infrastructure Library , é uma biblioteca criada pelo governo britânico nos anos 80 e composta por um conjunto de recomendações e melhores práticas para operações e gerenciamento de serviços de TI, proporcionando uma abordagem efetiva e eficiente no uso de sistemas de informação.

O ITIL é um framework aberto, ou seja, qualquer empresa pode usar livremente a sua biblioteca (ou parte dela), o que tem contribuído para o aumento exponencial da utilização de seus processos. O foco da biblioteca é mostrar “o que fazer”, e não “como fazer”, dando ênfase aos objetivos, atividades, entradas e saídas de informações, etc., fazendo com que possa ser incorporada à praticamente qualquer organização.

O ITIL tem por objetivo dar suporte ao fornecimento de Serviços de TI com os maiores índices de qualidade possíveis, dando uma atenção especial às atividades de relacionamento com o Cliente. Desta forma, o ITIL fortalece o relacionamento entre a área de TI e seus Clientes através do cumprimento de metas previamente acordadas (SLA’s – Service Level Agreements) para a prestação de Serviços de TI.






Vejamos brevemente o objetivo de cada uma das áreas.

1.1. DISCIPLINAS BASE DO ITIL

1.1.1. SERVICE SUPPORT

• Service Desk

Distingui-se como uma função e não uma disciplina. Atua como um ponto focal para o atendimento a usuários, clientes e pessoal interno da organização. Caminha pela estrutura organizacional para prover um contato mais centralizado com a área de TI.

• Incident Management

Responsável por restaurar e normalizar a operação de um serviço ou produto com o menor tempo possível, a fim de minimizar os impactos sobre a operação dos negócios e conseguir os melhores níveis de qualidade e disponibilidade de serviço possível.

• Problem Management

Visa minimizar o impacto e reincidência de problemas gerenciais sobre os negócios de uma organização através da investigação, diagnóstico e solução de problemas. Dá-se através da prevenção pró-ativa de incidentes e auto-aprendizado (base de dados de erros conhecidos, soluções, tempos de solução, etc.).

• Change Management

Garante o rastreamento de todas as mudanças e respectivas partes afetadas buscando entender e controlar seus impactos para a intra-estrutura de TI e os negócios da organização. Permite também avaliar os prazos e riscos inerentes às mudanças propostas.

• Release Management

Responsável por planejar e gerenciar recursos e meios para testar, liberar, distribuir e implantar mudanças (ou atualizações) em ambiente de operação/produção, de forma sistêmica e controlada.

• Configuration Management

Assegura que apenas componentes mapeados e autorizados (também chamados de Itens de Configuração – IC: softwares, hardwares, documentos, processos, procedimentos, etc.) são usados no ambiente de TI, e que todas as mudanças nestes componentes serão gravadas e rastreadas durante todo o seu ciclo de vida. Estes dados ficam armazenados em uma estrutura chamada CMDB (Configuration Management Data Base).

1.1.2. SERVICE DELIVERY

• Service Level Management

Permite ao departamento de TI entregar exatamente o que foi definido e acordado com o cliente, além gerenciar estes acordos. Também se preocupa em garantir que os serviços são reconhecidos como benéficos para a organização.

• Availability Management

Realiza o desenho, implementação, medição e gerenciamento da disponibilidade da infra-estrutura de TI, para garantir que os requisitos de disponibilidade dos negócios sejam constantemente satisfeitos.

• IT Service Continuity Management

Proporciona mecanismos pra garantir que qualquer serviço de TI seja capaz de sobreviver e continuar a prover valor para seus clientes e usuários, mesmo em situações com restrição ou em que as soluções de disponibilidade normais falhem.

• Capacity Management

Planeja, justifica e gerencia níveis apropriados de recursos, negócios e/ou serviços necessários para uma dada solução de TI, evitando e controlando baixas ou excessos.

• Financial Management

Administrar de forma sólida e concisa os recursos monetários da organização (custos efetivos, contabilidade, alocação e retorno do investimento), fornecendo suporte no planejamento financeiro e execução dos objetivos de negócios.

2. POR QUE UTILIZAR O ITIL

Um aspecto interessante na utilização do ITIL é a padronização de um vocabulário comum na prestação de serviços e comunicação entre TI, seus Clientes e Fornecedores. Através das recomendações do ITIL é possível que todo o relacionamento e no gerenciamento desta prestação de serviços seja otimizado, o que facilita seu controle e posterior avaliação de benefícios.

Além disto, ITIL provê alguns benefícios diretos relacionados à Gestão de Serviços de TI:

• Gestão mais eficiente da infra-estrutura e dos serviços prestados, de forma clara e sistemática;

• Diminuição gradativa da indisponibilidade dos recursos e sistemas de TI, causados por falhas no planejamento das mudanças e implantações em TI;

• Maior controle nos processos com menor incidência dos riscos envolvidos;

• Torna os processos de gerenciamento dos serviços de TI mensuráveis;

• Atuação na causa raiz dos problemas, com foco no negócio;

• Definição clara e transparente de funções e responsabilidades;

• Eliminação de redundância de tarefas e ações;

• Maior qualidade nos serviços prestados;

• Elevação dos níveis de satisfação dos usuários internos e clientes com relação à disponibilidade e qualidade dos serviços de TI;

• Redução de custos de TI e aumento do ROI (Return of Investment);

• Flexibilidade e menores impactos na gestão de mudanças;

• Processos mais ágeis e organizados, graças à organização e relacionamento entre eles;

• Melhor relacionamento com os fornecedores e com os serviços prestados;

As práticas do ITIL são extremamente bem estruturadas e implicam, na maioria dos casos, em uma criteriosa ação de mudança cultural, o que provavelmente tenha impacto direto na razão do ITIL ainda não ter uma aplicação tão ampla no cenário atual das empresas que necessitam de um gerenciamento de seus serviços de TI. Contudo, sua aplicabilidade e os benefícios que tem comprovadamente trazendo estão fazendo com que seja cada dia maior a procura por informações e tentativas concretas de adoções de suas melhores práticas.

3. ITIL NO MERCADO CORPORATIVO

3.1. MERCADO DE TI

O mercado de TI conta ainda com outras metodologias e “modelos de negócios” dispostos em frameworks, com similariedades e complementariedade tais como o COBIT (Control Objectives for Information and related Technology), o CMMI (Capability Maturity Model Integration), as boas práticas na gestão de projetos segundo o PMBoK, entre outros. Além disto, dispõe de ferramentas corporativas também que são usadas para fomentar a Governança de TI, como BSC (Balanced Scorecard), BI (Business Intelligence), CRM (Customer Relationship Management), ERPs (Enterprise Resource Planning) e SCM (Supply Chain Management).

3.2. PROJETOS DE IMPLEMENTAÇÃO DO ITIL

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) pretende implantar, até dezembro deste ano, as diretrizes do CobiT 4.0 em vários de seus processos de TI, além de alinhar suas iniciativas também com a biblioteca de melhores práticas do ITIL. 1

A Construtora Norberto Odebrecht também contratou um consultoria para analisar seus macro-processos e mapeá-los em relação ao CobiT e o ITIL, ainda este ano. 1

Um caso recente – e otimista – de implementação é o da Cassi (Caixa de Assistência ao Funcionário do Banco do Brasil), cujos processos estão sob influência do ITIL desde setembro de 2003. 2

O ABN no Brasil adotou o ITIL depois que o conceito virou norma global da empresa, em novembro de 2002. A implementação local seguiu o roteiro da matriz, começando com um conjunto de processos operacionais. 2

Inúmeras instituições de renome vêem adotando o ITIL e alcançando bons resultados, apesar de não terem número divulgados oficialmente: Siemens, General Motors, Banco Central, Petrobrás, Bradesco e muitas outras.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

P.A. evolução da tecnologia da informação nos últimos 45 anos


P.A. evolução da tecnologia da informação nos últimos 45 anos

Ari Clayton Soares Formiga

DO PROCESSAMENTO DE DADOS A TI

Na década de 1960, o tema tecnológico que rondava as organizações era o “processamento de dados”. Nessa época, a maioria das empresas direcionava os recursos para o processamento centralizado de dados em mainframes (grandes computadores) e para os sistemas de controles operacionais, tais como faturamento, estoque, folha de pagamento, finanças e contabilidade.
Aos poucos, porém, as empresas foram se sensibilizando para a importância da informação na gestão de negócios. Contagiadas pela “informática”, que passa a substituir o tradicional “processamento de dados”, as empresas superam resistências e incorporam essa nova ferramenta empresarial. Com a “informática”, as empresas integraram os seus sistemas, mesmo com algumas redundâncias.
Na atualidade, a “informática” se transforma em “tecnologia da informação” (TI), integrando os seus emergentes e modernos recursos. A TI pode ser conceituada como o conjunto dos recursos tecnológicos e computacionais para guarda de dados, geração e uso da informação e de conhecimentos.
A gestão de dados e informações compreende as atividades de guarda e recuperação de dados e níveis e de controle de acesso às informações. Essa gestão requer um completo plano de contingência e um plano de segurança de dados e informações.
Com a “tecnologia da informação” as empresas possuem aplicações com compartilhamento das bases de dados, unificando-as e eliminando as redundâncias. Os sistemas são mais completos, integrados e satisfazem na íntegra os seus usuários. A TI contempla inclusive os sistemas de informação e de conhecimento para apoio às decisões.
Dessa forma, utilizando a TI, a informação e o conhecimento adicionam para as organizações diversas facilidades de gestão com vantagens competitivas e com inteligência empresarial.

DO USUÁRIO AO CLIENTE

No tempo do “processamento de dados”, os usuários eram tímidos, hesitantes, indecisos e superficialmente envolvidos com tecnologias. Na fase da “informática” os usuários já se posicionavam como responsáveis pelos sistemas e estavam mais engajados nos processos que utilizavam tecnologias.
Os usuários na “tecnologia da informação” são chamados de “clientes”, atuando com postura participativa e integrativa, focando seus esforços na gestão dos processos e conseqüentemente nos dados, informações e conhecimentos que utilizam. O uso de comitês ou de equipes multidisciplinares em projetos de TI faz com que os usuários e/ou clientes participem mais efetivamente dessas atividades, da concepção e do desenvolvimento à implantação total de soluções empresariais. São os verdadeiros “donos” ou gestores dos sistemas e dos recursos da TI, recebendo suporte técnico dos profissionais de informática.
Essa transformação do papel do usuário possibilitou muitos ganhos na gestão dos negócios.

DO TÉCNICO AO SOLUCIONADOR

Os componentes da TI evoluíram muito nesses últimos anos, trazendo contribuições à gestão dos negócios. Acompanhando essa evolução e também as mudanças do perfil do cliente da TI, os seus profissionais também se aprimoraram. Afinal, embora as pessoas não façam parte da TI, sem elas essa tecnologia não teria utilidade.
Para atingir a qualidade, produtividade e efetividade nas atividades relacionadas a sistemas empresariais e à TI, que são requeridas pelo mercado de trabalho, há necessidade de um perfil profissional que contemple o domínio das habilidades técnica, de negócio e comportamental.
As habilidades técnicas são as adquiridas ao longo da formação técnica do profissional, em cursos acadêmicos e em outros complementares. Destacam-se: metodologias, técnicas, ferramentas tecnológicas, linguagens de programação, etc.
As habilidades de negócio são as adquiridas ao longo do exercício profissional, no desenvolvimento de soluções para as empresas. Destacam-se: negócios em questão, funções empresariais, funções da administração, processos, procedimentos, idiomas, etc.
As habilidades comportamentais ou humanas são as adquiridas ao longo da vida, ou seja, na educação e nos relacionamentos humanos e corporativos. Destacam-se: proação (iniciativa, execução e conclusão), criatividade, comunicação e expressão, relacionamento pessoal, espírito de equipe e/ou administração participativa, planejamento pessoal, organização, concentração, atenção, disponibilidade, responsabilidade, etc.
O desenvolvimento dessas habilidades é um desafio individual, que deve ser enfrentado com dedicação pelo trabalhador que deseja ascender profissionalmente. Os profissionais não podem ficar inertes. Devem ter iniciativa e buscar a qualificação para garantir seu diferencial competitivo, como solucionadores de problemas que requerem o uso dos recursos da TI.

DO GERENTE AO CIO

A inteligência e o sucesso das organizações dependem fortemente das decisões tomadas pelas pessoas que nelas atuam. Da mesma forma que houve mudanças nos perfis do cliente e dos técnicos solucionadores, também evoluiu a forma de gestão e a postura dos gestores da TI.
Os chamados gerentes de CPD (Centro de Processamento de Dados) atuaram na década de 1960 e 1970 com seus sistemas fechados e seus ranços tecnológicos. Essa gerência de CPD era um modelo vetusto e alquimista de gerenciamento dos recursos da informática, freqüentemente vinculado a um modelo de gestão autoritária.
O velho CPD deve ser transformado numa Unidade de TI. A Unidade de TI é a área, ou departamento, ou setor, ou seção responsável pelos serviços de informática e pelos recursos de TI de uma unidade ou de uma organização. Atualmente, a TI e seus recursos são vistos como ferramentas de trabalho e como uma unidade departamental moderna, transparente, efetiva e prestadora de serviços. E suas atividades e responsabilidades podem ser disseminadas em toda a empresa.
A posição organizacional da Unidade de TI também tem implicações significativas em sua forma de atuação, que pode apresentar-se como uma organização externa ou uma unidade interna.
O gestor da TI deve sempre ter clara a visão da abordagem sociotécnica, humanística e da teoria geral de sistemas. Dessa forma, conceitua-se o gestor como uma função, não um cargo, nem uma profissão. As habilidades requeridas dos gestores e o conceito de gestão sempre envolvem a atuação com: pessoas ou recursos humanos; projetos, processos e/ou atividades; e recursos diversos, tais como: tecnológicos, financeiros, materiais, de tempo, etc. A gestão participativa é a mais indicada para a gestão da TI e conseqüentemente para a gestão dos negócios.
Atualmente o gestor da TI é chamado de CIO (Chief Information Officer). Os CIOs são os gestores responsáveis pelos recursos tecnológicos e pela utilização estratégica das informações das organizações, normalmente ligados à alta administração da organização.
Seja atuando como funcionário, prestador de serviços ou consultor, o mercado requer dos profissionais de TI capacitação, qualidade, produtividade, efetividade, dedicação, envolvimento e comprometimento nas suas atividades.

DO DADO AO CONHECIMENTO

Antigamente os recursos da TI processavam dados, que era “algo” armazenado ou depositado para ser tratado. O dado é entendido como um elemento da informação, um conjunto de letras, números ou dígitos, que, tomado isoladamente, não transmite nenhum conhecimento, ou seja, não contém um significado claro. Daí, então, chamar informação como um dado trabalhado, útil, tratado, com valor significativo atribuído ou a ele agregado e com um sentido natural e lógico para quem o usa.
Quando a informação é “trabalhada” por pessoas e pelos recursos computacionais, possibilitando a geração de cenários, simulações e oportunidades, pode ser chamada de conhecimento. O conceito de conhecimento complementa o de informação com valor relevante e de propósito definido.
O conhecimento da organização, também chamado de capital intelectual, competência e habilidade, é componente da inteligência empresarial. É reconhecido como um ativo intangível de inestimável valor. A gestão do conhecimento pode ser entendida como uma forma de administração e aproveitamento do conhecimento das pessoas e como o compartilhamento ou disseminação das melhores práticas para o crescimento da organização.
Nesse trajeto do dado para o conhecimento, a TI pode desempenhar um relevante papel de suporte na gestão dos negócios das organizações inteligentes.
Do software aos sistemas de informação
Há 45 anos, os recursos da TI estavam direcionados para softwares ou sistemas de informações operacionais que garantiam principalmente o processamento trivial dos dados das empresas. Atualmente, a evolução dos sistemas de informação (SI) se apresenta nas mais diversas formas e tipos.
Os SI operacionais contemplam o processamento de operações e transações rotineiras, em seu detalhe, incluindo seus respectivos procedimentos. Os SI gerenciais contemplam o processamento de grupos de dados das operações e transações operacionais, transformando-os em informações agrupadas para gestão.
Os SI estratégicos trabalham com os dados no plano macro, filtrados das operações das funções empresariais da organização, considerando, ainda, a relação entre o meio ambiente interno e/ou externo, visando auxiliar o processo de tomada de decisão da alta administração e do corpo gestor da empresa.
Os SI também podem se apresentar em níveis organizacionais, tais como pessoal, de grupo ou departamental, organizacional e os interorganizacionais, nos quais se enquadram os sistemas globais de informação, envolvendo várias empresas.
Atualmente, para realizar esses sistemas nas empresas, a TI e seus recursos são necessários. Para tanto, as empresas têm como opção a utilização de diversas tecnologias modernas. As principais TI aplicadas à geração de informações oportunas dos SI são: Executive Information Systems (EIS);Enterprise Resource Planning (ERP); Sistemas de Apoio a Decisões (SAD); Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados (SGBD); Data Warehouse (DW); Recursos da Inteligência Artificial (IA); Sistemas Especialistas; Data Mining (DM); Database Marketing (DBM); recursos da internet; automação de escritórios; recursos On-Line Analytic Processing (OLAP), On-Line Transaction Processing (OLTP), entre outras.
Em paralelo à utilização dessas tecnologias, surgem os sistemas de conhecimentos, que manipulam ou geram conhecimentos organizados para contribuir com os seres humanos, com as organizações e com a sociedade como um todo. Podem ser compostos pelos recursos emergentes da TI ou por simples softwares específicos, onde podem ser geradas informações oportunas e/ou conhecimentos personalizados com valores agregados.
A difusão de informações relevantes e úteis, “trabalhadas” por pessoas e/ou por recursos computacionais, produzidas com qualidade, de forma antecipada e transformadas em conhecimento explícito, que possa ser utilizado por todas as pessoas da organização, dá suporte à obtenção de vantagem competitiva e à conquista da inteligência empresarial.
Do PDI ao PETI
O antigo Plano Diretor de Informática (PDI) tinha seus esforços mais direcionados para o plano de informática e seus respectivos recursos tecnológicos de hardware software. Ele normalmente não contribuía de fato com as estratégias e as operações das organizações.
O Planejamento Estratégico da Tecnologia da Informação (PETI) é um processo dinâmico e interativo para estruturar estratégica, tática e operacionalmente as informações organizacionais, a TI (e seus recursos:hardwaresoftware, sistemas de telecomunicação, gestão de dados e informação), os sistemas de informação e do conhecimento, as pessoas envolvidas e a infra-estrutura necessária para o atendimento de todas as decisões, ações e respectivos processos da organização. A diferença fundamental reside no planejamento das informações necessárias para a gestão de toda a empresa, que passa a contemplar o perfil profissional dos recursos humanos envolvidos.
O PETI deve estar alinhado aos negócios. Para que esse alinhamento aconteça, o maior desafio dos gestores ainda é fazer com que a TI desempenhe seu relevante papel estratégico nas organizações, agregando valores aos seus produtos e/ou serviços e auxiliando a promoção das inteligências competitiva e empresarial. É fundamental, portanto, que os recursos computacionais da TI disponibilizem informações oportunas e conhecimentos personalizados que possibilitem a geração de cenários decisórios.
Denis Alcides Rezende é tecnólogo em Processamento de Dados, administrador, mestre em Informática pela UFPR, doutor em Gestão da Tecnologia de Informação pela UFSC e professor da FAE Business School.