quarta-feira, 7 de setembro de 2011

LIBERDADE X IGUALDADE

Neste 7 de Setembro de 2011, eu não poderia deixar de pensar em algo referente a estes aspectos, inerentes a minha vida. Hoje trabalhei, talvez por querer um trocado a mais ou por necessitar deste mesmo trocado para completar o orçamento.

Um dos mais antigos debates, ou pelo menos um dos mais recorrentes debates na filosofia política do século XX é o travado entre os defensores da igualdade e os da liberdade. Para os liberais se deve prezar sempre pela liberdade individual, social, política e principalmente econômica, o que significa lutar contra todo e qualquer entrave para que essa liberdade se realize. Se esse entrave, por exemplo, é um Estado forte e intervencionista, então que seja, enxuga-se o Estado, que é o projeto liberal, e, mais recentemente, neoliberal.

O resultado dessa política liberal, como a História mostra, é a acumulação econômica nas mãos de poucos e uma falsa noção de que há uma igualdade de condições, e de que basta a força de vontade individual para que isso ocorra. É lutar pela regra do jogo, mesmo sabendo que o resultado vai ser desigual. Nesse sentido política de quotas, e quaisquer outros programas de assistência social, que tratem desigualmente os desiguais estariam errados.

Já os defensores da igualdade substantiva, não aquela igualdade meramente formal de que falam os liberais, mas numa igualdade de padrões de vida, lutam pela divisão igualitária, principalmente econômica. Para isso, um Estado forte é necessário, já que é a única forma em que se pode ter certeza de uma divisão entre todos. Em que pese a corrupção, um dos argumentos liberais para o desmonte do Estado, esse sistema simplesmente exige do Estado o que dele se espera. Seguindo esse raciocínio, as ditas organizações não-governamentais, as empresas cidadãs e tudo o mais que supostamente surge da livre associação de membros da sociedade civil não passa de balela, ideologia do capital a favor próprio.

No século passado os liberais começaram com o pé direito. A fé no laissez-faire laissez-passer, de que a "mão invisível" saberia guiar os caminhos da humaninade descambou na superprodução e conseqüente quebra da bolsa de Chicago, em 1929. Isso ao mesmo tempo em que uma força comunista na luta igualitária ganhava força com a União Soviética. Essa disputa liberais x comunistas, somadas ao medo do comunismo na Europa Ocidental, descambou numa série de regimes facistas e nazistas, que atingiram Espanha, Alemanha e Itália, e postularam a 2ª Guerra Mundial.

No pós guerra, o pacto keynesiano arrefeceu as reivindicações proletárias e deu início ao Estado de Bem-Estar Social, que garantiria o pleno emprego até o início da série de crises do petróleo nos anos 70. A escassez e o parco crescimento da economia levaram à bancarrota da Previdência Social e ao retorno dos liberais, agora neoliberais, prometendo emprego, em troca da deterioriação de direitos da classe trabalhadora. O que vivemos hoje é a continuidade dessa política, agora apelidada de Terceira Via, porque supostamente agrega políticas da esquerda e direita. Quando vemos um Chávez e Bush acusando-se mutuamente de demônios, um do capitalismo e outro do socialismo, nada mais vemos do que a continuidade dessa luta, a eterna luta entre liberdade e igualdade, duas idéias opostas, que sempre pairam na utopia humana, acompanhadas ainda daquela terceira e menos discutida idéia, a da fraternidade.